SINAPI Março 2026 — Análise de Custos da Construção
Dados IBGE + variação por grupo, região e item — análise exclusiva com 15.233 composições e insumos
Publicado em 10 de abril de 2026 · Fonte: IBGE + dados próprios
Resumo Executivo
O Índice Nacional da Construção Civil (SINAPI) avançou 0,37% em março de 2026, ficando 0,14 ponto percentual acima da taxa de fevereiro (0,23%). No acumulado dos últimos doze meses, a inflação da construção atingiu 6,73%, resultado ligeiramente acima dos 6,71% registrados nos doze meses imediatamente anteriores — sinalizando estabilidade com leve tendência de aceleração.
O custo nacional por metro quadrado subiu de R$ 1.925,08 para R$ 1.932,27 — sendo R$ 1.089,78 de materiais e R$ 842,49 de mão de obra. A taxa de março manteve-se próxima à registrada em março de 2025 (0,35%), indicando que o setor opera em patamar de variação relativamente estável para o mês, sem choques atípicos como os vivenciados em 2021-2022 sob efeito da pandemia.
Para orçamentistas e engenheiros que trabalham com a tabela SINAPI, março reforça a tendência de pressão concentrada na mão de obra: enquanto materiais acumulam 4,45% em 12 meses, a mão de obra já atinge 9,89% — mais que o dobro. Dissídios coletivos regionais são o principal vetor, com impacto concentrado no Nordeste.
Indicadores do Mês
| Indicador | Mensal | No ano | 12 meses | Valor/m² |
|---|---|---|---|---|
| SINAPI (índice geral) | 0,37% | 2,15% | 6,73% | R$ 1.932,27 |
| ↳ Materiais | 0,43% | 1,06% | 4,45% | R$ 1.089,78 |
| ↳ Mão de obra | 0,31% | 3,60% | 9,89% | R$ 842,49 |
Fonte: IBGE/SINAPI. Valores em R$ por m² de construção.
A parcela de materiais variou 0,43% em março, subindo tanto em relação a fevereiro (0,36%) quanto a março do ano passado (0,35%). No acumulado do primeiro trimestre, materiais sobem 1,06% — ritmo controlado que reflete a estabilidade dos preços de commodities no período.
A mão de obra registrou variação de 0,31%, alta de 0,25 ponto percentual em relação a fevereiro (0,06%), influenciada pela captação de reajustes salariais decorrentes de dissídios coletivos. No acumulado do trimestre, mão de obra sobe 3,60% — mais de três vezes a variação de materiais no mesmo período. Em 12 meses, a pressão salarial é intensa: 9,89%, impulsionada pelo mercado de trabalho aquecido e por acordos coletivos que reajustam todas as categorias profissionais simultaneamente em cada estado.
Variação por Região
Variação por Região
A Região Nordeste registrou a maior variação regional em março: 0,95%, com alta em todos os estados, impulsionada por reajustes nas categorias profissionais da construção civil. Segundo o gerente da pesquisa SINAPI no IBGE, Augusto Oliveira, “com um peso em torno de 40% no custo agregado do SINAPI, a parcela da mão de obra com um reajuste que atinge todos os profissionais em um mesmo momento tem grande influência na variação do custo por metro quadrado”.
A Bahia registrou a maior variação estadual: 2,16%, seguida pela Paraíba com 1,83%, ambas sob impacto direto de dissídios coletivos. Na direção oposta, a Região Sul teve a menor variação (0,03%), seguida de perto pelo Sudeste (0,14%) e Norte (0,16%).
O Centro-Oeste ficou em 0,25%, abaixo da média nacional. Para consultar os preços SINAPI atualizados por estado, acesse a página de estados ou navegue para qualquer UF — por exemplo, São Paulo, Minas Gerais ou Rio de Janeiro.
Grupos com Maiores Variações
Grupos em alta
Grupos em baixa
No polo positivo, Limpeza de Obra lidera com variação média de +30%, seguido por Bombas Hidráulicas (+27%) e Pavimento Intertravado (+21%). Essas altas refletem tanto a entrada de itens recalibrados pelo IBGE quanto a pressão de materiais específicos no período.
Na ponta oposta, Grampo para Solo Grampeado apresenta a maior queda (-11%), seguido por Eletrodutos e Conexões (-9%) e Concreto Projetado (-9%). As quedas em armação (-8%) e cercas e alambrados (-8%) sugerem correção nos preços de aço e materiais metálicos que haviam subido nos meses anteriores.
Para quem trabalha com orçamento de obras de infraestrutura, os grupos de concreto e armação merecem atenção — ambos em queda, o que pode representar oportunidade para revisão de planilhas em licitações em andamento.
Composições e Insumos com Maiores Variações
Variação acumulada (12 meses)
Maiores altas
LIMPEZA DE REVESTIMENTO CERÂMICO EM PAREDE COM PANO ÚMIDO. AF_10/2025_PS
Média R$ 3,03/M2RODO PARA CHAO 40 CM, COM BORRACHA DUPLA E CABO
Média R$ 52,97/UNLIMPEZA DE REVESTIMENTO CERÂMICO/ MÁRMORE/ GRANITO EM PAREDE UTILIZANDO DETERGENTE NEUTRO E ESCOVAÇÃ
Média R$ 3,20/M2REGULARIZAÇÃO E COMPACTAÇÃO DE SUBLEITO DE SOLO PREDOMINANTEMENTE ARENOSO, PARA OBRAS DE CONSTRUÇÃO
Média R$ 1,52/M2PROTETOR AUDITIVO TIPO CONCHA COM ABAFADOR DE RUIDOS, ATENUACAO ACIMA DE 22 DB
Média R$ 95,75/UNPA DE LIXO PLASTICA, CABO LONGO
Média R$ 37,54/UNFERRAMENTAS - FAMILIA OPERADOR ESCAVADEIRA - HORISTA (ENCARGOS COMPLEMENTARES - COLETADO CAIXA)
Média R$ 0,03/HALICATE DE PRESSAO 11" PARA SOLDA, TIPO U
Média R$ 210,00/UNALICATE PARA ANEIS DE PISTAO, CAPACIDADE *50* A 100 MM
Média R$ 259,83/UNMASCARA DE SEGURANCA PARA SOLDA COM ESCUDO DE CELERON E CARNEIRA DE PLASTICO COM REGULAGEM
Média R$ 106,25/UNMaiores quedas
LIMPEZA DE CONTRAPISO COM VASSOURA A SECO. AF_10/2025
Média R$ 0,69/M2MARTELETE OU ROMPEDOR PNEUMÁTICO MANUAL, 28 KG, COM SILENCIADOR - JUROS. AF_07/2016
Média R$ 0,10/HMARTELETE OU ROMPEDOR PNEUMÁTICO MANUAL, 28 KG, COM SILENCIADOR - DEPRECIAÇÃO. AF_07/2016
Média R$ 0,44/HMARTELETE OU ROMPEDOR PNEUMÁTICO MANUAL, 28 KG, COM SILENCIADOR - MANUTENÇÃO. AF_07/2016
Média R$ 0,55/HMARTELO DEMOLIDOR PNEUMATICO MANUAL, PESO DE 28 KG, COM SILENCIADOR
Média R$ 7.634,98/UNREGULARIZAÇÃO DE SUPERFÍCIES COM MOTONIVELADORA. AF_09/2024
Média R$ 0,57/M2TERMOFUSORA PARA TUBOS E CONEXÕES EM PPR COM DIÂMETROS DE 75 A 110 MM, POTÊNCIA DE *1100* W, TENSÃO
Média R$ 0,05/CHICORTADORA DE PISO COM MOTOR 4 TEMPOS A GASOLINA, POTÊNCIA DE 13 HP, COM DISCO DE CORTE DIAMANTADO SE
Média R$ 0,09/HTERMOFUSORA PARA TUBOS E CONEXÕES EM PPR COM DIÂMETROS DE 75 A 110 MM, POTÊNCIA DE *1100* W, TENSÃO
Média R$ 0,04/HTERMOFUSORA PARA TUBOS E CONEXÕES EM PPR COM DIÂMETROS DE 20 A 63 MM, POTÊNCIA DE 800 W, TENSAO 220
Média R$ 0,04/CHIMetodologia do ranking
Variação 12 meses: composições e insumos com preço desonerado em pelo menos 10 estados nos dois períodos comparados. Variações acima de 500% são excluídas por indicarem rebase do IBGE (item recriado ou reclassificado).
Variação mensal: itens com preço em pelo menos 1 estado no mês atual e no anterior. Variações acima de 50% são excluídas (recalibragem). O número de UFs com dados aparece no campo "UFs".
Preço médio: média aritmética simples dos preços desonerados nas UFs com dados válidos. Não é média ponderada por população ou PIB.
Fonte dos preços: planilha XLSX oficial da Caixa Econômica Federal.
Os 10 itens com maiores altas e baixas nos últimos 12 meses. Variações extremas (acima de 100%) geralmente indicam rebase do IBGE — itens que foram recriados, reclassificados ou tiveram sua metodologia de coleta revisada, especialmente itens com sufixo AF_xx/2025.
Destaque para os itens de limpeza de obra: tanto as maiores altas quanto a maior baixa do mês concentram-se nesse grupo, evidenciando recalibragem ampla pelo IBGE. Para orçamentistas: se a composição que você utiliza aparece na lista, vale revisar o caderno técnico do item para entender se houve mudança metodológica ou variação de mercado real.
Licitações Públicas e SINAPI
Os dados do Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP) mostram que 4.887 códigos SINAPI foram referenciados em licitações públicas recentes, totalizando 21.428 licitações mapeadas.
A Lei 14.133/2021 (Nova Lei de Licitações) exige o uso do SINAPI como referência para orçamentos de obras públicas com recursos federais. Com a variação de março concentrada na mão de obra (+0,31%) e impacto regional desigual — Nordeste em 0,95% versus Sul em 0,03% —, orçamentistas que trabalham com composições intensivas em mão de obra em estados do Nordeste devem estar atentos à defasagem entre a referência utilizada e os custos reais.
Confira as composições mais licitadas para entender quais itens SINAPI são mais demandados pelo setor público, e use a calculadora de BDI com as faixas de referência do TCU para montar sua proposta.
Perspectivas
Março encerrou o primeiro trimestre de 2026 com acumulado de 2,15% — ritmo que, se mantido, projeta inflação da construção acima de 8% no ano, acima da meta de inflação e das projeções do mercado financeiro para o IPCA.
Com a concentração de dissídios coletivos no segundo trimestre (abril a junho), a expectativa é de aceleração na mão de obra nos próximos meses, especialmente em estados onde os acordos coletivos ainda não foram captados. A página de encargos sociais traz os percentuais atualizados por UF para os regimes desonerado e onerado.
Para materiais, o cenário externo (Selic restritiva + câmbio pressionado) sugere manutenção da pressão sobre itens com componente importado — aço, cobre e materiais elétricos. Grupos como instalações elétricas, que recuaram em março, podem inverter tendência se o dólar se mantiver elevado.
A divulgação do SINAPI referente a abril de 2026 foi publicada em 12 de maio — confira a análise de abril para os dados mais recentes.
Para acompanhar o histórico de variação de qualquer composição ou insumo específico, use a busca e acesse a página de detalhe — cada item tem gráfico de variação 12 meses e tabela mês a mês.
Dados: IBGE/SINAPI, Caixa Econômica Federal, BCB. Análise: Buscador SINAPI. Última atualização: 2026-05-13.