Pular para o conteúdo
Análise Mensal +0,36% variação mensal SINAPI (IBGE)

SINAPI Maio 2026 — Análise de Custos da Construção

Dados IBGE + variação por grupo, região e item — análise exclusiva com 15.289 composições e insumos

Publicado em 12 de junho de 2026 · Fonte: IBGE + dados próprios

Resumo Executivo

O Índice Nacional da Construção Civil (SINAPI) variou 0,36% em maio de 2026, exatamente metade da taxa registrada em abril (0,72%). É a primeira desaceleração relevante do ano: depois de três meses de pressão crescente, o índice voltou ao patamar de março. No acumulado de 12 meses, a inflação da construção também perdeu fôlego — 6,93%, contra 7,01% nos 12 meses imediatamente anteriores.

O custo nacional por metro quadrado subiu de R$ 1.946,09 para R$ 1.953,08 — sendo R$ 1.104,59 de materiais e R$ 848,49 de mão de obra. A leitura de calma, porém, pede contexto: no acumulado do ano o índice avança 3,26%, bem acima dos 2,00% registrados no mesmo período de 2025. O custo de construir segue subindo mais rápido que no ano passado — apenas em ritmo menor que o de abril.

Para orçamentistas e engenheiros que trabalham com a tabela SINAPI, maio é um mês de recomposição: a pressão saiu da mão de obra (fim da concentração de dissídios) e ficou nos materiais, que seguem como principal vetor de alta — com destaque para a família de pisos e revestimentos pré-moldados e para os grupos hidráulicos.

Indicadores do Mês

Indicador Mensal No ano 12 meses Valor/m²
SINAPI (índice geral) 0,36% 3,26% 6,93% R$ 1.953,08
↳ Materiais 0,53% 2,44% 5,01% R$ 1.104,59
↳ Mão de obra 0,14% 4,34% 9,56% R$ 848,49

Fonte: IBGE/SINAPI. Valores em R$ por m² de construção.

A parcela de materiais variou 0,53% — desaceleração de 0,30 ponto percentual frente a abril (0,83%), mas ainda em nível historicamente alto. “Mesmo apresentando queda expressiva em maio em relação a abril, 0,30 ponto percentual, a taxa registrada é a terceira maior desde outubro de 2024, quando registrou 0,79%”, destaca o gerente da pesquisa no IBGE, Augusto Oliveira. No acumulado do ano, materiais sobem 2,44%; em 12 meses, 5,01%.

A mão de obra variou apenas 0,14% — queda de 0,43 ponto percentual frente a abril (0,57%) e abaixo até de maio de 2025 (0,33%). O arrefecimento reflete o fim da janela de dissídios coletivos concentrados entre março e abril. No acumulado de 12 meses, porém, a pressão salarial segue quase o dobro da de materiais: 9,56%.

Variação por Região

Variação por Região

Sul 0,44%
Nordeste 0,39%
Centro-Oeste 0,39%
Norte 0,33%
Sudeste 0,31%

Destaques Estaduais

BA

Bahia +0,92%

Alta na parcela dos materiais

PR

Paraná +0,65%

Maior alta da Região Sul, única com alta em todos os estados

A Região Sul assumiu a liderança com alta de 0,44% — única região com alta em todos os estados, puxada pelo Paraná (0,65%). Nordeste e Centro-Oeste vieram logo atrás (0,39% cada), com Norte (0,33%) e Sudeste (0,31%) fechando a lista.

O mapa de maio é bem mais homogêneo que o de abril: sem os picos estaduais de 3% a 4% provocados por acordos coletivos, a maior variação do país foi a da Bahia0,92%, puxada pela parcela de materiais. O estado de São Paulo, maior mercado de construção do país, ficou em linha com a média do Sudeste, a região mais comportada do mês.

Para consultar os preços SINAPI atualizados por estado, acesse a página de estados ou navegue diretamente para qualquer UF — por exemplo, São Paulo, Paraná ou Bahia.

Grupos com Maiores Variações

Os grupos de transporte de materiais (+31,9% em 12 meses), limpeza de obra (+23,6%) e bombas hidráulicas centrífugas (+21,4%) seguem concentrando as maiores altas acumuladas, com instalações hidráulicas em PPR logo atrás — o mesmo quarteto que pressionava a tabela em abril.

Na ponta oposta, o bloco de fundações aprofundou a deflação: armação de estacas (-4,0%), estacas metálicas (-3,7%) e paredes de concreto — armação (-3,4%) refletem a queda contínua dos preços de aço. Iluminação predial e monitoramento (-4,4%) lidera as baixas.

Se você trabalha com orçamento de obras de infraestrutura, o momento favorece serviços intensivos em aço e fundações — vale revisar composições orçadas em referências de 2025, que podem estar com preços inflados frente à tabela atual.

Composições e Insumos com Maiores Variações

Variação no último mês

Variação acumulada (12 meses)

Metodologia do ranking

Variação 12 meses: composições e insumos com preço desonerado em pelo menos 10 estados nos dois períodos comparados. Variações acima de 500% são excluídas por indicarem rebase do IBGE (item recriado ou reclassificado).

Variação mensal: itens com preço em pelo menos 1 estado no mês atual e no anterior. Variações acima de 50% são excluídas (recalibragem). O número de UFs com dados aparece no campo "UFs".

Preço médio: média aritmética simples dos preços desonerados nas UFs com dados válidos. Não é média ponderada por população ou PIB.

Fonte dos preços: planilha XLSX oficial da Caixa Econômica Federal.

O movimento mais visível de abril para maio é a reprecificação em bloco da família de granilite/marmorite: rodapé, piso, divisória e soleira pré-moldados subiram ~11,4% juntos — padrão típico de reajuste no insumo-base, que se propaga para todas as composições que o utilizam.

Na ponta das baixas, estaca escavada mecanicamente recuou -13,4% no mês — coerente com a deflação do bloco de fundações — e a família de tubos dreno de PEAD corrugado caiu ~6,7%, aliviando orçamentos de drenagem.

A seção “último mês” mostra o que mudou agora — de abril para maio — e é o dado mais relevante para quem está fechando orçamento. A seção “12 meses” mostra a tendência acumulada; variações extremas (acima de 100%) geralmente indicam rebase do IBGE — itens recriados ou reclassificados.

Licitações Públicas e SINAPI

Os dados do Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP) mostram que 4.904 códigos SINAPI foram referenciados em licitações públicas recentes, totalizando 21.660 licitações mapeadas.

A Lei 14.133/2021 (Nova Lei de Licitações) exige o uso do SINAPI como referência para orçamentos de obras públicas com recursos federais. A atualização mensal da tabela — como esta referência de maio — é o que garante que os preços referenciais reflitam o mercado atual. Composições desatualizadas ou congeladas em referências antigas podem levar a sobrepreço ou a licitações desertas.

Confira as composições mais licitadas para entender quais itens SINAPI são mais demandados pelo setor público.

Perspectivas

A desaceleração de maio tem componente sazonal: a janela de dissídios passou e a mão de obra deve permanecer comportada até o fim do ano — mas o acumulado de 9,56% em 12 meses já está contratado nos orçamentos. A atenção volta para os materiais, cuja taxa segue entre as maiores desde o fim de 2024, com câmbio e itens de componente importado (aço, cobre, materiais elétricos) como principais riscos.

Para quem fecha orçamento agora, o cenário favorece travar preços de serviços intensivos em aço e fundações (em deflação) e revisar com cuidado os grupos hidráulicos e de acabamento pré-moldado, que seguem reajustando acima da média. A página de encargos sociais traz os percentuais atualizados por UF para os regimes desonerado e onerado.

A próxima divulgação do SINAPI pelo IBGE, referente a junho de 2026, está prevista para 10 de julho. Esta página será atualizada com a análise do mês seguinte assim que os dados forem publicados.

Para acompanhar o histórico de variação de qualquer composição ou insumo específico, use a busca e acesse a página de detalhe — cada item tem gráfico de variação 12 meses e tabela mês a mês.


Dados: IBGE/SINAPI, Caixa Econômica Federal, BCB. Análise: Buscador SINAPI. Última atualização: 2026-06-12.

Itens Novos e Alterados em Maio 2026

O relatório oficial de manutenções da Caixa registrou 586 mudanças na tabela SINAPI nesta referência — 339 itens novos, 124 com início de divulgação de custo, 110 alterados e 13 desativados ou suspensos.

Lista completa dos 586 itens

Código, descrição, tipo de manutenção, preço médio nacional e link de cada item

Perguntas frequentes

O que mudou no SINAPI em maio de 2026?
O SINAPI de maio/2026 registrou variação de +0,36% no índice nacional da construção civil, segundo o IBGE. Esta análise detalha as variações por região, grupo de serviço e os itens individuais com maiores altas e baixas.
Quais itens entraram ou mudaram na tabela SINAPI em maio de 2026?
O relatório oficial de manutenções da Caixa registrou 586 mudanças na tabela SINAPI de maio/2026, entre criações de itens, início de divulgação de custos, alterações de descrição/coeficientes e desativações. A página de itens novos e alterados de maio/2026 lista todos os códigos afetados, com preço médio e link para a página de cada um.
Como a variação SINAPI afeta licitações públicas?
A Lei 14.133/2021 exige que orçamentos de obras públicas com recursos federais utilizem o SINAPI como referência. Variações na tabela impactam diretamente os valores de referência e podem exigir revisão de composições de custo em andamento.
Onde consulto os preços SINAPI por estado?
Na página de estados você encontra os preços SINAPI para cada uma das 27 UFs. Cada composição e insumo tem preços desonerado e onerado por estado.
Qual a diferença entre preço desonerado e onerado?
O preço desonerado considera as alíquotas de INSS reduzidas pela desoneração da folha (Lei 12.546/2011). O onerado aplica a contribuição previdenciária patronal integral. A página de encargos sociais detalha os percentuais por UF.