SINAPI Junho 2026 — Análise de Custos da Construção
Dados IBGE + variação por grupo, região e item — análise exclusiva com 15.330 composições e insumos
Publicado em 10 de julho de 2026 · Fonte: IBGE + dados próprios
Resumo Executivo
O Índice Nacional da Construção Civil (SINAPI) variou 1,19% em junho de 2026 — mais que o triplo da taxa de maio (0,36%) e o maior índice desde agosto de 2022, com uma única exceção: janeiro deste ano (+1,54%), quando a reoneração da folha de pagamento das empresas do setor provocou um salto de origem tributária, não de mercado. Tirando esse efeito contábil, é preciso voltar a julho de 2022 (+1,48%) para encontrar um mês mais caro. A calmaria durou exatamente um mês: a pressão salarial que parecia encerrada com a janela de dissídios de março/abril voltou com força, agora puxada por acordos coletivos regionais. No acumulado de 12 meses o índice subiu para 7,26% (contra 6,93% em maio); no ano, o avanço já é de 4,48%.
O custo nacional por metro quadrado subiu de R$ 1.953,08 para R$ 1.976,37 — sendo R$ 1.114,74 de materiais e R$ 861,63 de mão de obra. Foi o maior salto mensal do custo/m² em 2026: R$ 23,29 em um único mês.
Para orçamentistas e engenheiros que trabalham com a tabela SINAPI, junho é um alerta de recomposição salarial: quem travou orçamento em maio contando com mão de obra comportada precisa revisar as composições intensivas em encargos — especialmente em Pernambuco, Rondônia, Ceará e São Paulo, onde os acordos coletivos concentraram as maiores altas.
Indicadores do Mês
| Indicador | Mensal | No ano | 12 meses | Valor/m² |
|---|---|---|---|---|
| SINAPI (índice geral) | 1,19% | 4,48% | 7,26% | R$ 1.976,37 |
| ↳ Materiais | 0,92% | 3,39% | 5,54% | R$ 1.114,74 |
| ↳ Mão de obra | 1,55% | 5,96% | 9,59% | R$ 861,63 |
Fonte: IBGE/SINAPI. Valores em R$ por m² de construção.
A parcela de materiais variou 0,92% — aceleração de 0,39 ponto percentual frente a maio (0,53%) e a maior taxa mensal do ano. No acumulado do ano, materiais sobem 3,39%; em 12 meses, 5,54%. O vetor de alta segue o mesmo apontado nas análises anteriores: itens com componente importado e as famílias hidráulicas e de cobre.
A mão de obra saltou de 0,14% em maio para 1,55% em junho — reversão completa do arrefecimento anterior, provocada por reajustes de categorias profissionais firmados em acordos coletivos estaduais. No acumulado de 12 meses, a pressão salarial chegou a 9,59% — segue quase o dobro da inflação de materiais e é o componente que mais encarece a construção no horizonte anual.
Variação por Região
Variação por Região
Destaques Estaduais
Pernambuco +2,98%
Maior alta do país — reajuste nas categorias profissionais firmado em acordo coletivo e alta da parcela dos materiais
O Nordeste liderou com alta de 1,45%, puxado pelos acordos coletivos: Pernambuco registrou +2,98%, a maior variação do país, e o Ceará veio logo atrás com +2,52%. O Sudeste (1,33%) acompanhou de perto — o estado de São Paulo, maior mercado de construção do país, subiu +2,34% com reajuste de categorias e alta de materiais. Centro-Oeste (0,91%), Sul (0,86%) e Norte (0,58%) fecharam a lista, embora Rondônia (+2,63%) tenha destoado da própria região com a segunda maior alta do país.
O contraste com maio é total: o mapa homogêneo e sem picos deu lugar a um mapa de dissídios, com quatro estados acima de 2,3% num mês em que a mediana nacional ficou perto de 0,9%. Para consultar os preços SINAPI atualizados por estado, acesse a página de estados ou navegue direto para qualquer UF — por exemplo, Pernambuco, São Paulo ou Ceará.
Grupos com Maiores Variações
Grupos em alta
Grupos em baixa
Os grupos de transporte de materiais (+32,2% em 12 meses), limpeza de obra (+24,4%) e bombas hidráulicas centrífugas (+23,9%) seguem no topo das altas acumuladas — o mesmo bloco de abril e maio. A novidade é a escalada das instalações em cobre (+26,2%), que confirma o risco de componente importado apontado na análise anterior.
Atenção especial para graute e armação (+23,6%): boa parte do salto vem das revisões AF_06/2026 nas composições de alvenaria estrutural — as armações de verga e contraverga foram reprecificadas em +37% a +47% no mês. Variação de revisão metodológica da Caixa, não necessariamente de preço de mercado: se seu orçamento usa essas composições, o impacto é imediato e vale conferir item a item.
Na ponta oposta, o bloco ligado ao aço segue em deflação: estacas metálicas (-3,7%), cercas e alambrados (-2,3%), armação para estruturas de concreto armado (-2,0%) e armação de estacas (-1,5%) continuam aliviando orçamentos de fundações e estrutura.
Composições e Insumos com Maiores Variações
Variação no último mês
Maiores altas
ARMAÇÃO DE VERGA E CONTRAVERGA DE ALVENARIA ESTRUTURAL; DIÂMETRO DE 12,5 MM. AF_06/2026
RETIRADA E RECOLOCAÇÃO DE TELHA CERÂMICA CAPA-CANAL, COM MAIS DE DUAS ÁGUAS, INCLUSO IÇAMENTO. AF_06
RETIRADA E RECOLOCAÇÃO DE TELHA CERÂMICA DE ENCAIXE, COM MAIS DE DUAS ÁGUAS, INCLUSO IÇAMENTO. AF_06
ARMAÇÃO DE VERGA E CONTRAVERGA DE ALVENARIA ESTRUTURAL; DIÂMETRO DE 16,0 MM. AF_06/2026
POLVORA NEGRA
EMULSAO EXPLOSIVA EM CARTUCHOS DE 2" X 24", DENSIDADE 1.15 G/CM3, INICIACAO ESPOLETA N. 8 / CORDEL
EMULSAO EXPLOSIVA EM CARTUCHOS DE 1" X 8", DENSIDADE 1.15 G/CM3, INICIACAO ESPOLETA N. 8 / CORDEL
EMULSAO EXPLOSIVA EM CARTUCHOS DE 1" X 12", DENSIDADE 1.15 G/CM3, INICIACAO ESPOLETA N. 8 / CORDEL
EMULSAO EXPLOSIVA EM CARTUCHOS DE 1" X 24", DENSIDADE 1.15 G/CM3, INICIACAO ESPOLETA N. 8 / CORDEL
EMULSAO EXPLOSIVA EM CARTUCHOS DE 2 1/4" X 24", DENSIDADE 1.15 G/CM3, INICIACAO ESPOLETA N. 8 / CORD
Maiores quedas
TELHAMENTO COM TELHA ONDULADA DE FIBRA DE VIDRO E = 0,6 MM, PARA TELHADO COM INCLINAÇÃO MAIOR QUE 10
JUNCAO 2 GARRAS PARA FITA PERFURADA
PORCA UNIAO/JUNCAO ZINCADA SEXTAVADA 1/4", CHAVE 7/16", COMPRIMENTO = 25 MM
FITA METALICA GRAVADA, L = 17 MM, ROLO DE 25 M, CARGA RECOMENDADA = *120* KGF
FITA METALICA PERFURADA, L = 17 MM, ROLO DE 30 M, CARGA RECOMENDADA = *19* KGF
FINCAPINO LONGO CALIBRE 22, CARGA FORTE POTENCIA 7 (PARA FERRAMENTA DE ACAO DIRETA), COR AMARELA
PINO DE ACO COM ROSCA 1/4", COMPRIMENTO DA HASTE = 30 MM E ROSCA = 20 MM (ACAO DIRETA)
SUPORTE "Y" PARA FITA PERFURADA
FITA METALICA PERFURADA, L = *18* MM, ROLO DE 30 M, CARGA RECOMENDADA = *30* KGF
FITA METALICA PERFURADA, L = 25 MM, ROLO DE 30 M, CARGA RECOMENDADA = *222,5* KGF
Variação acumulada (12 meses)
Maiores altas
TRANSPORTE HORIZONTAL COM MANIPULADOR TELESCÓPICO, DE BACIA SANITÁRIA, CAIXA ACOPLADA, TANQUE OU PIA
Média R$ 15,62/UNXKMTRANSPORTE HORIZONTAL COM MANIPULADOR TELESCÓPICO, DE TELHAS TERMOACÚSTICAS, FIBROCIMENTO, AÇO ZINCA
Média R$ 8,03/M2XKMLIMPEZA DE REVESTIMENTO CERÂMICO EM PAREDE COM PANO ÚMIDO. AF_10/2025_PS
Média R$ 3,09/M2LIMPEZA DE REVESTIMENTO CERÂMICO/ MÁRMORE/ GRANITO EM PAREDE UTILIZANDO DETERGENTE NEUTRO E ESCOVAÇÃ
Média R$ 3,27/M2TRANSPORTE HORIZONTAL COM MANIPULADOR TELESCÓPICO, DE TELHA DE CONCRETO OU CERÂMICA (UNIDADE: M2XKM)
Média R$ 39,53/M2XKMFERRAMENTAS - FAMILIA OPERADOR ESCAVADEIRA - HORISTA (ENCARGOS COMPLEMENTARES - COLETADO CAIXA)
Média R$ 0,03/HCARGA DE ÁGUA EM CAMINHÃO PIPA 6 M³. AF_02/2026
Média R$ 13,11/M3TRANSPORTE HORIZONTAL COM CARRINHO PLATAFORMA, DE BARRAMENTO BLINDADO (UNIDADE: MXKM). AF_04/2026
Média R$ 33,43/MXKMFITA ISOLANTE DE BORRACHA AUTOFUSAO, USO ATE 69 KV (ALTA TENSAO), LARGURA DE 19 MM
Média R$ 4,32/MTRANSPORTE HORIZONTAL COM MANIPULADOR TELESCÓPICO, DE BLOCOS CERÂMICOS FURADOS NA HORIZONTAL DE 9X19
Média R$ 1,20/UNXKMMaiores quedas
TELHAMENTO COM TELHA DE ENCAIXE, TIPO FRANCESA DE VIDRO, COM ATÉ 2 ÁGUAS, INCLUSO TRANSPORTE VERTICA
Média R$ 53,09/M2LIMPEZA DE CONTRAPISO COM VASSOURA A SECO. AF_10/2025
Média R$ 0,69/M2MARTELETE OU ROMPEDOR PNEUMÁTICO MANUAL, 28 KG, COM SILENCIADOR - JUROS. AF_07/2016
Média R$ 0,10/HMARTELO DEMOLIDOR PNEUMATICO MANUAL, PESO DE 28 KG, COM SILENCIADOR
Média R$ 6.882,45/UNMARTELETE OU ROMPEDOR PNEUMÁTICO MANUAL, 28 KG, COM SILENCIADOR - DEPRECIAÇÃO. AF_07/2016
Média R$ 0,43/HMARTELETE OU ROMPEDOR PNEUMÁTICO MANUAL, 28 KG, COM SILENCIADOR - MANUTENÇÃO. AF_07/2016
Média R$ 0,54/HTERMOFUSORA PARA TUBOS E CONEXÕES EM PPR COM DIÂMETROS DE 75 A 110 MM, POTÊNCIA DE *1100* W, TENSÃO
Média R$ 0,05/CHICORTADORA DE PISO COM MOTOR 4 TEMPOS A GASOLINA, POTÊNCIA DE 13 HP, COM DISCO DE CORTE DIAMANTADO SE
Média R$ 0,09/HTERMOFUSORA PARA TUBOS E CONEXÕES EM PPR COM DIÂMETROS DE 75 A 110 MM, POTÊNCIA DE *1100* W, TENSÃO
Média R$ 0,04/HTERMOFUSORA PARA TUBOS E CONEXÕES EM PPR COM DIÂMETROS DE 20 A 63 MM, POTÊNCIA DE 800 W, TENSAO 220
Média R$ 0,04/CHIMetodologia do ranking
Variação 12 meses: composições e insumos com preço desonerado em pelo menos 10 estados nos dois períodos comparados. Variações acima de 500% são excluídas por indicarem rebase do IBGE (item recriado ou reclassificado).
Variação mensal: itens com preço em pelo menos 1 estado no mês atual e no anterior. Variações acima de 50% são excluídas (recalibragem). O número de UFs com dados aparece no campo "UFs".
Preço médio: média aritmética simples dos preços desonerados nas UFs com dados válidos. Não é média ponderada por população ou PIB.
Fonte dos preços: planilha XLSX oficial da Caixa Econômica Federal.
No mês, as maiores altas são as armações de verga e contraverga de alvenaria estrutural (+47,4% e +36,8%, revisão AF_06/2026 citada acima) e a família de retirada e recolocação de telha cerâmica (+46,2% e +42,3%) — serviços de retelhamento ficaram sensivelmente mais caros. Nas baixas do mês, o telhamento com telha ondulada de fibra de vidro recuou -16,0% e a família de fitas perfuradas e conexões zincadas caiu ~15,5% (cotada em apenas 4 UFs — amostra pequena, use com cautela).
Na janela de 12 meses, as variações extremas — transporte com manipulador telescópico (+264%) nas altas, telhamento com telha francesa (-92%) nas baixas — são típicas de rebase do IBGE/Caixa: composições recriadas ou reclassificadas, não tendência de preço. A seção “último mês” mostra o que mudou agora — de maio para junho — e é o dado mais relevante para quem está fechando orçamento.
Itens Novos e Alterados
A referência de junho trouxe 327 manutenções na tabela: criações de composições e insumos, alterações de descrição e mudanças de itens/coeficientes. A lista completa, com preço médio nacional e link para a página de cada item, está em Itens Novos e Alterados de junho — leitura obrigatória para quem mantém orçamento vivo entre referências, junto com as revisões AF_06/2026 destacadas acima.
Licitações Públicas e SINAPI
Os dados do Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP) mostram que 4.904 códigos SINAPI foram referenciados em licitações públicas recentes, totalizando 21.660 licitações mapeadas.
A Lei 14.133/2021 (Nova Lei de Licitações) exige o uso do SINAPI como referência para orçamentos de obras públicas com recursos federais. Com uma variação mensal de 1,19%, usar referência defasada em junho significa orçar com preços ~1,2% abaixo do mercado — em obras públicas, é a diferença entre uma proposta viável e uma licitação deserta.
Confira as composições mais licitadas para entender quais itens SINAPI são mais demandados pelo setor público.
Perspectivas
Junho desmonta a leitura de que a janela de dissídios tinha se encerrado em abril: os acordos coletivos estaduais se estendem pelo meio do ano e podem voltar a aparecer nas próximas referências. Com mão de obra acumulando 9,59% em 12 meses e materiais acelerando, o custo de construir segue subindo em ritmo bem superior ao de 2025 — os 4,48% do primeiro semestre já superam com folga os 3,26% acumulados até maio.
Para quem fecha orçamento agora, o cenário recomenda: revisar composições intensivas em mão de obra nos estados com dissídio recente (PE, RO, CE, SP); manter o aproveitamento da deflação em fundações e aço; e monitorar de perto cobre e hidráulicos, que renovam altas mês após mês. A página de encargos sociais traz os percentuais atualizados por UF para os regimes desonerado e onerado.
A próxima divulgação do SINAPI pelo IBGE, referente a julho de 2026, está prevista para 11 de agosto. Esta página será atualizada com a análise do mês seguinte assim que os dados forem publicados.
Para acompanhar o histórico de variação de qualquer composição ou insumo específico, use a busca e acesse a página de detalhe — cada item tem gráfico de variação 12 meses e tabela mês a mês.
Dados: IBGE/SINAPI, Caixa Econômica Federal. Análise: Buscador SINAPI. Última atualização: 2026-07-10.
Itens Novos e Alterados em Junho 2026
O relatório oficial de manutenções da Caixa registrou 327 mudanças na tabela SINAPI nesta referência — 62 itens novos, 14 com início de divulgação de custo, 246 alterados e 5 desativados ou suspensos.
Lista completa dos 327 itens
Código, descrição, tipo de manutenção, preço médio nacional e link de cada item