Pular para o conteúdo

Como Ler os Cadernos Técnicos SINAPI

O preço de uma composição diz quanto custa; o Caderno Técnico diz o que exatamente você está pagando. São 171 documentos oficiais da Caixa, um por grupo de serviços, com 10.093 fichas de composição. Este guia explica a anatomia de uma ficha — as 9 seções, a árvore de fatores — e como usar isso no orçamento, na medição e na defesa perante o controle.

Ver os 171 cadernos → 10.093 fichas de composição

O que é (e o que não é) o Caderno Técnico

Cada composição do SINAPI nasce de um processo de aferição em campo: engenheiros medem produtividade e consumo em obras reais, nas três macrorregiões do país. O Caderno Técnico é o documento que registra o resultado — a receita (itens e coeficientes), as condições da medição e o modo de execução de referência. Ele não é especificação de projeto nem tabela de preço: os preços mudam todo mês; o caderno define escopo e método.

A Caixa publica esse conteúdo apenas em PDFs (um por grupo). No Buscador SINAPI ele está estruturado: cada composição mostra as seções do seu caderno na própria página — por exemplo, a armação vertical 89996 — e cada caderno tem página própria, como o de Graute e armação.

A anatomia da ficha: as 9 seções

Toda ficha de composição segue o mesmo template. Saber o que cada seção responde é o que transforma o caderno de "PDF de 200 páginas" em ferramenta de trabalho:

1

Árvore de Fatores

Diagrama das variantes do serviço — o caminho em preto é a combinação desta composição. Não existe nos cadernos de custos horários de equipamentos (neles a numeração segue 1–8).

2

Itens da Composição

A tabela de insumos e composições auxiliares com coeficientes — a mesma receita da planilha analítica oficial.

3

Itens e suas Características

O que cada item é e faz: especificação dos materiais e o papel de cada profissional (quem executa, quem auxilia).

4

Equipamentos

Equipamentos envolvidos e sua função — "não se aplica" nos serviços manuais.

5

Critérios para Quantificação dos Serviços

Como medir o serviço executado para pagamento: unidade e regra de levantamento. É o "critério de medição" do contrato.

6

Critérios de Aferição

Como a produtividade foi levantada em campo — e, na prática, o ESCOPO: o que a composição contempla e o que deve ser orçado à parte.

7

Execução

O passo a passo executivo de referência, incluindo requisitos de segurança (EPIs, plataformas).

8

Informações Complementares

Limites de aplicabilidade (ex: composição calculada para edifício térreo, válida também para múltiplos pavimentos).

9

Pendências

Transparência da Caixa: itens excluídos (PE) ou substituídos (PS) por falta de preço coletado, com os códigos afetados.

Árvore de fatores: o mapa das variantes

A árvore de fatores é a seção mais mal-aproveitada do caderno — e uma das mais úteis. É um diagrama em níveis: no topo, o serviço; em cada nível, um fator (posição, tipo, dimensão, método executivo); o caminho destacado em preto é a combinação exata daquela composição.

Árvore de fatores da composição SINAPI 89996: armação para alvenaria estrutural, caminho destacado Vertical, diâmetro 10,0 mm
Árvore de fatores da SINAPI 89996: armação para alvenaria estrutural → vertical → Ø 10 mm. Os nós em branco são as variantes irmãs — cada combinação é outra composição.

Uso prático: seu projeto pede armação de cinta com Ø 12,5 mm? A árvore mostra que existe composição específica — não adapte a de Ø 10 mm. O Buscador SINAPI exibe a árvore oficial em cada composição aferida (~8.756 diagramas).

Medição × aferição: a distinção que evita apontamento

Seção 5 — Critérios para quantificação

Como medir para pagar. A regra de levantamento do serviço executado: "utilizar o peso total da tela efetivamente utilizada", "medição em metros do comprimento linear executado". É o que vai pro critério de medição do contrato.

Seção 6 — Critérios de aferição

O que o custo contempla. As condições da medição de campo — e as exclusões explícitas: "a produtividade desta composição não contempla a instalação de tubulação em cobre; para tais atividades, utilizar composição específica". É o mapa do escopo.

Na prática: a seção 5 protege a medição (pagamento correto do executado); a seção 6 protege o orçamento (nada esquecido, nada duplicado). Auditorias de tribunais de contas usam exatamente essas seções para verificar se um orçamento duplicou serviço que a composição já contemplava — ou omitiu o que ela exclui.

Vigência, aferição e histórico de revisões

Três datas convivem em cada composição e têm papéis diferentes:

Como usar o caderno no dia a dia

Orçamentista

Antes de adotar um código: confira na seção 6 o que está contemplado (evita duplicar ou omitir serviço), na seção 3 se os materiais batem com o projeto, e na árvore de fatores se não existe variante mais aderente.

Fiscal / medição

A seção 5 é a régua da medição; a seção 7 (execução) dá o referencial do método — desvios relevantes de método podem descaracterizar o uso da composição.

Licitação / controle

O caderno é a fonte oficial pra justificar composição adotada e responder questionamentos de tribunal de contas — cite o grupo, a seção e a data de aferição.

Perguntas Frequentes

O que é o Caderno Técnico do SINAPI?
É o documento oficial da Caixa que descreve como cada serviço do SINAPI é executado, medido e aferido. Cada um dos 171 cadernos cobre um grupo de composições (alvenaria, telhamento, instalações elétricas…) e traz, por composição: itens e características, equipamentos, critérios de quantificação, critérios de aferição, execução, informações complementares e pendências. É a fonte que define o escopo de cada composição — o que o custo unitário cobre e o que fica de fora.
Qual a diferença entre critérios de medição e critérios de aferição?
Critérios para quantificação dos serviços (seção 5) dizem como medir o serviço executado para pagamento — a unidade e a regra de levantamento (ex: "utilizar a área da superfície efetivamente executada"). Critérios de aferição (seção 6) documentam como a Caixa levantou os índices em campo e, na prática, delimitam o escopo: o que a produtividade contempla e o que deve ser orçado em composição separada. A confusão entre os dois é fonte clássica de erro em orçamento e de apontamento em auditoria.
O que é a árvore de fatores do SINAPI?
É a representação gráfica das variantes de um serviço: um diagrama em níveis onde cada linha é um fator (tipo, dimensão, método executivo…) e o caminho destacado em preto identifica a combinação exata daquela composição. Ex: ARMAÇÃO PARA ALVENARIA ESTRUTURAL → VERTICAL → Ø 10 MM. Serve para localizar rapidamente a composição certa entre as variantes — se seu projeto usa Ø 12,5 mm, a árvore mostra que existe outra composição específica. O Buscador SINAPI exibe a árvore oficial em cada composição aferida.
Onde baixar os Cadernos Técnicos do SINAPI?
No portal da Caixa (seção Downloads → SINAPI – Cadernos Técnicos de Composições), um PDF por grupo. A lista completa, estruturada e com busca, está em buscadorsinapi.com.br/cadernos-tecnicos — cada caderno com introdução oficial, histórico de revisões, normas e as composições do grupo linkadas.
O caderno técnico serve como especificação de projeto?
Não substitui o projeto nem o memorial descritivo. Ele documenta as condições de referência em que a composição foi aferida (materiais, técnica executiva, normas). Se o seu projeto especifica método ou material diferente, a composição pode não representar o custo do seu serviço — é o primeiro check que um orçamentista deve fazer antes de adotar o código.
Com que frequência os cadernos são atualizados?
Não há ciclo fixo: a Caixa republica um caderno quando revisa coeficientes, inclui referências novas ou desativa composições — o registro fica no histórico de revisões na abertura de cada caderno (e nas notas oficiais do SINAPI). Os preços, por outro lado, mudam todo mês; o caderno define a receita e o escopo, não o preço.