Como Montar um Orçamento de Obra com o SINAPI
Orçar com o SINAPI se resume a uma lógica: quantitativo × custo unitário da composição, serviço por serviço, mais os itens que a tabela não cobre, mais BDI. Este guia percorre os 7 passos com um exemplo real calculado — uma parede completa, da alvenaria à pintura, com os preços oficiais vigentes (Jun/2026).
Quais São os 7 Passos do Orçamento de Obra com SINAPI?
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Levante os quantitativos do projeto
Áreas de parede e piso, volumes de concreto, comprimentos de tubulação — medidos em planta. Cada composição tem critério oficial de quantificação no caderno técnico: alvenaria, por exemplo, usa a área líquida (todos os vãos descontados). Errar o critério é a fonte nº 1 de estouro de orçamento. Para calcular quantidades de material (blocos por m², argamassa, tinta por demão), use as calculadoras da Calculadora de Construção; para uma estimativa rápida de custo por área, o Quanto Custa Construir.
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Escolha a composição de cada serviço
Busque por código ou descrição e confira três coisas antes de fixar: a unidade (m², m³, kg), a especificação (traço da argamassa, espessura, tipo de bloco) e o método executivo (manual ou mecânico, interno ou fachada). Composições parecidas com métodos diferentes têm custos bem diferentes. Obra rodoviária ou de arte especial? A referência é o SICRO, do DNIT — veja quando usar cada tabela e consulte os preços no Buscador SICRO.
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Aplique os preços do estado e do regime corretos
Os coeficientes são nacionais; os preços são estaduais. Use a UF da obra e o regime (desonerado ou onerado) do enquadramento da empresa — e declare o mês de referência na planilha.
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Calcule os subtotais
Subtotal = quantitativo × custo unitário. A soma é o custo direto da obra. A mão de obra com encargos sociais e complementares já está dentro de cada composição — não some encargos de novo.
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Acrescente o que o SINAPI não cobre
Canteiro de obras, administração local, mobilização/desmobilização, projetos e licenças entram como itens próprios da planilha (custo direto, fora do BDI). Serviço sem composição SINAPI? Use outros sistemas (ORSE, EMOP, SEINFRA) ou composição própria com memorial — procedimento aqui.
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Aplique o BDI
Preço final = custo total × (1 + BDI). Referência: faixas do Acórdão TCU 2622/2013 por tipo de obra — edificações têm valor médio de 22,12%. Calcule o seu na Calculadora de BDI.
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Revise com curva ABC
Ordene os itens por valor total: os classe A (~20% dos itens que carregam ~80% do custo) merecem conferência item a item de composição, preço e quantitativo. É onde mora o risco do orçamento — e é o que auditor e cliente vão olhar primeiro.
Quanto Custa uma Parede Completa? Exemplo Real de 15 m² Calculado
Uma parede interna de 3 × 5 m (15 m², um lado revestido), da alvenaria à pintura — com composições oficiais SINAPI e preços de São Paulo, regime desonerado, referência Jun/2026:
| Etapa | Serviço (composição SINAPI) | Código | Quant. | Custo unit. | Subtotal |
|---|---|---|---|---|---|
| Vedação | Alvenaria de vedação — bloco de concreto 9×19×39 cm | 103316 | 15 m² | R$ 89,32 | R$ 1.339,80 |
| Revestimento | Chapisco interno aplicado com colher de pedreiro | 87878 | 15 m² | R$ 5,83 | R$ 87,45 |
| Revestimento | Massa única (reboco paulista) traço 1:2:8, parede interna | 87529 | 15 m² | R$ 41,96 | R$ 629,40 |
| Pintura | Fundo selador acrílico, uma demão | 88485 | 15 m² | R$ 5,10 | R$ 76,50 |
| Pintura | Pintura látex acrílica premium, duas demãos | 88489 | 15 m² | R$ 14,68 | R$ 220,20 |
| Custo direto (R$ 156,89/m² × 15 m²) | R$ 2.353,35 | ||||
| + BDI 22,12% (valor médio TCU para edificações) | R$ 520,56 | ||||
| Preço final da parede | R$ 2.873,91 | ||||
Exemplo didático: parede interna, um lado revestido, sem verga/contraverga e sem instalações embutidas. Cada código linka a ficha completa com os preços das 27 UFs e a composição analítica — como ler a analítica aqui. Para calcular as quantidades de material desta parede (quantos blocos, argamassa do reboco, litros de tinta), use a calculadora de blocos, a de reboco e a de tinta. Em obra real, aplique a curva ABC do passo 7 sobre a planilha completa.
Quais São os 5 Erros Mais Comuns no Orçamento com SINAPI?
- Quantitativo pelo critério errado — área bruta em vez de líquida na alvenaria, esquecimento de descontar vãos.
- Somar encargos sobre preço SINAPI — encargos sociais e complementares já estão dentro; somar de novo infla o custo.
- Misturar regimes — parte da planilha desonerada, parte onerada. Escolha um e declare.
- BDI embutido no preço unitário — o unitário deve ser custo direto puro; BDI entra em coluna própria, sobre o total.
- Referências misturadas — preços de meses diferentes na mesma planilha. Uma referência única, declarada no cabeçalho.
Como Manter a Rastreabilidade da Planilha Orçamentária?
Rastreabilidade é conseguir provar de onde veio cada número: qualquer linha da planilha deve levar de volta ao código SINAPI, ao mês de referência, ao regime e ao critério de quantificação. É o que o Decreto 7.983/2013 exige do orçamento-base e a primeira coisa que auditor confere. Quatro amarras resolvem:
1 · Código em toda linha
Cada serviço com o código SINAPI ao lado da descrição — sem "verba" nem descrição solta. Serviço sem código tabelado entra com a composição própria referenciada no memorial.
2 · Referência e regime no cabeçalho
Mês de referência único (Jun/2026, por exemplo) e regime declarado (desonerado/onerado). Se a referência mudar durante o processo, registre a versão — não sobrescreva.
3 · Memória de cálculo dos quantitativos
Cada quantitativo com a origem em planta ("parede eixo 3, 5,00 × 3,00 m − vão porta 1,60 m²") e o critério do caderno técnico usado.
4 · Analítica dos itens classe A anexada
Para os itens da curva ABC classe A, anexe a composição analítica — é o que sustenta o preço em questionamento.
O elo mais frágil é o preenchimento manual: re-digitar preço por preço quebra o vínculo código→preço→referência e é onde nascem as "referências misturadas" do erro nº 5. Preencher a planilha automaticamente a partir dos códigos mantém a amarra de ponta a ponta — cada preço nasce da referência certa, documentado.
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Composições e preços da tabela SINAPI publicada pela Caixa Econômica Federal (referência Jun/2026); BDI de referência do Acórdão TCU 2622/2013. Uso informativo. Consulte sempre a tabela vigente na data de elaboração do orçamento.