Custo Horário de Equipamentos no SINAPI — CHP × CHI
Toda máquina do SINAPI tem duas composições de custo horário: CHP (hora produzindo) e CHI (hora disponível, parada). Este guia abre as fórmulas oficiais do Capítulo 5 do livro Metodologias e Conceitos — depreciação, juros, manutenção, o fator 1,25 — e mostra onde cada parcela aparece nas 434 composições de custo horário da base vigente.
Por que o SINAPI publica duas composições por equipamento?
Porque em obra o equipamento não opera 100% do tempo. Uma escavadeira que carrega caminhões espera o caminhão voltar; um rolo compactador espera a camada ser espalhada. A aferição em campo mede essa dinâmica e distribui as horas do serviço entre tempo produtivo (remunerado pelo CHP) e tempo improdutivo (remunerado pelo CHI) — por isso as composições de serviço trazem os dois como itens, com coeficientes distintos.
Exemplo real na base: a escavadeira hidráulica sobre esteiras de 17 t tem a composição 5631 (CHP diurno) e a 5632 (CHI diurno) — mesma máquina, custos por hora diferentes. E as parcelas do cálculo também são publicadas como composições auxiliares: a 102882, por exemplo, é exclusivamente a depreciação de uma plataforma elevatória.
As fórmulas oficiais
CHP — Custo Horário Produtivo
CHP = D + J + M + CMAT + CMOB
Hora em operação efetiva: paga a posse (D, J), o desgaste (M), o consumo (CMAT) e o operador (CMOB). Veículos somam IS.
CHI — Custo Horário Improdutivo
CHI = D + J + CMOB
Hora disponível sem operar (motor desligado): paga a posse e o operador que permanece — sem manutenção e sem combustível. Veículos somam IS.
| Parcela | Fórmula | CHP | CHI |
|---|---|---|---|
| D — Depreciação Perda de valor do bem ao longo da vida útil, pelo método linear. Va = valor de aquisição (preço mediano SINAPI), R = valor residual (dados DNIT), n = vida útil em anos. | D = (Va − R) / (n × HTA × 1,25) | ✓ | ✓ |
| J — Juros Remuneração do capital imobilizado, à taxa de 6,17% a.a. (mesma do SICRO — Ofício-Circular DNIT nº 4120/2023), sobre o valor médio do investimento. | J = Vm × i / (HTA × 1,25) · Vm = (n+1) × Va / 2n | ✓ | ✓ |
| M — Manutenção Reparos, peças, material rodante e desgaste, pelo coeficiente K de manutenção do fabricante (critério DNIT). Só existe na hora produtiva. | M = Va × K / (HTA × n) | ✓ | — |
| CMAT — Materiais na operação Combustível, filtros, óleos e graxas — taxas de consumo específico do DNIT (desde a 8ª edição do Livro 2, consultadas direto nas tabelas do DNIT). Máquina parada não consome. | consumo específico × preço | ✓ | — |
| CMOB — Mão de obra de operação Motorista/operador com dedicação exclusiva. Fica fora quando o equipamento não exige operador dedicado (betoneira, bombas, grades aradoras) — nesses casos o operador entra como item direto na composição do serviço. | preço do insumo de MO | ✓ | ✓ |
| IS — Impostos e seguros Somente veículos: IPVA + seguro obrigatório (TMA de 0,025 na referência). Caminhões fora de estrada e equipamentos de terraplenagem são isentos. | IS = (n+1) × Va × TMA / (2n × HTA × 1,25) | ✓ | ✓ |
O fator 1,25: horas trabalhadas × horas disponíveis
As parcelas ligadas à posse do equipamento (depreciação, juros, impostos e seguros) não são divididas pelas Horas Trabalhadas por Ano (HTA), e sim pelas Horas Disponíveis por Ano: HDA = HTA × 1,25. O fator vem da aferição em campo: em ambiente urbano, mesmo o equipamento líder da patrulha fica em média 80% do tempo produzindo e 20% disponível sem produzir — o custo da posse precisa se diluir por todo o tempo em que a máquina está comprometida com a obra, não só pelas horas rodando.
Esse é um dos pontos em que o SINAPI se diferencia do SICRO: a base de referência do DNIT foi construída para ambiente rodoviário, e o SINAPI ajustou a metodologia para as ineficiências típicas de obra urbana — tráfego, redes enterradas, pedestres, restrição de movimento. A vida útil, o valor residual e os consumos específicos, por sua vez, seguem os dados do Manual de Custos Rodoviários do DNIT — desde a 8ª edição do Livro Cálculos e Parâmetros, esses parâmetros não são mais reproduzidos no livro: a consulta é feita direto nas tabelas do DNIT. A condição de trabalho adotada como referência é a média — solos mistos, aclives moderados; condições severas (rocha, lama, rampas fortes) pedem ajuste do orçamentista.
O que fica fora do custo horário
- Locação — a referência parte do preço de aquisição; obra que aluga deve substituir pelo custo real de locação;
- Mobilização/desmobilização — orçadas à parte, no grupo específico de transporte de equipamentos pesados;
- Paralisações por chuva, greve ou falta de frente — variabilidade alta demais para uma referência;
- Pedágios e seguros de sinistro — só IPVA + seguro obrigatório entram (e apenas para veículos);
- Adicional noturno — a referência é diurna; operação noturna majora a mão de obra em 37,15% (hora de 52min30s + adicional de 20%, art. 73 da CLT).