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Aferição no SINAPI — Como Nascem os Coeficientes

Quando uma composição diz que assentar 1 m² de alvenaria consome 0,42 h de pedreiro, esse número não foi arbitrado: foi medido em obras reais, por método documentado, e carimbado na descrição com o AF_. Este guia abre o Capítulo 7 do livro Metodologias e Conceitos: o Modelo dos Fatores, a RUP e as 12 etapas que transformam cronômetro em coeficiente — o processo por trás das 10.093 fichas aferidas dos 171 Cadernos Técnicos.

10.093 fichas aferidas Método em campo desde 2012 Fonte: Livros SINAPI →

A ideia central: produtividade não é média, é função de fatores

O método parte do Modelo dos Fatores (Thomas, 1987; aprimorado na tese do Prof. Ubiraci Souza, 1996, e aplicado internacionalmente pelo CIB): representar a produtividade de um serviço pela média dos casos observados erra para mais e para menos, porque o esforço unitário varia sistematicamente com as condições. Três famílias de fatores explicam a variação:

É por isso que o SINAPI publica variantes — por espessura, altura, método, tipo de solo — em vez de um número só: cada combinação de fatores relevantes vira uma composição, mapeada na árvore de fatores do Caderno Técnico.

RUP: o número que vira coeficiente

Para mão de obra, o indicador é a RUP — Razão Unitária de Produção:

RUP = Hh ÷ Qs   (homens-hora ÷ quantidade de serviço — ex: Hh/m²)

Em cada obra estudada calculam-se a RUP diária (o dia a dia), a RUP cumulativa (acumulada do estudo) e — o conceito mais fino — a RUP potencial: a mediana das RUPs diárias que ficaram melhores que a cumulativa. Ela representa um desempenho desafiador, mas comprovadamente alcançável, pois foi observado em campo. O coeficiente publicado parte da RUP potencial associada aos fatores da variante e recebe um delta definido na análise — equilíbrio entre eficiência e realismo para uma referência que baliza contratos públicos.

As 12 etapas do processo

# Etapa O que acontece
1 Estudo preliminar Levantamento do estado da arte do grupo de serviços: normas, literatura, variantes de mercado e fatores que devem influenciar custo.
2 Identificação de obras Seleção de canteiros reais, em diferentes regiões, onde os serviços do grupo estão sendo executados.
3 Instruções para a coleta Protocolo de campo: o que medir, como registrar tempos, quantidades, equipes e condições de contorno.
4 Levantamento de dados Medição in loco: horas de cada profissional, consumo de materiais, tempos produtivos e improdutivos dos equipamentos.
5 Processamento preliminar Limpeza e consolidação dos dados de todas as obras estudadas.
6 Análise de dados Mão de obra (RUPs), materiais (consumos e perdas) e equipamentos (tempos produtivo/improdutivo) analisados à luz do Modelo dos Fatores.
7 Regras para variação dos indicadores Definição de como o coeficiente varia com cada fator (espessura, altura, método executivo…).
8 Análise de custo dos fatores Verificação do impacto de cada fator no custo final do serviço.
9 Comparação com outras fontes Confronto com referências de mercado e literatura técnica.
10 Composições propostas Relatórios com as composições novas ou revisadas — coeficientes, itens e variantes.
11 Avaliação — manifestação da Caixa Análise técnica da proposta pela engenharia da Caixa.
12 Revisão e publicação Ajustes finais, consulta pública quando aplicável, e publicação com a marca AF_ na descrição.

Onde ver o resultado da aferição em cada composição

Perguntas Frequentes

Perguntas Frequentes

O que significa AF_ nas composições do SINAPI?
É a marca de aferição: "AF_09/2024" no fim da descrição indica que aquela composição foi aferida (ou revisada) com dados de campo consolidados em setembro/2024. Composições com AF_ têm coeficientes originados de medição em obras reais pelo método oficial — e têm ficha completa no Caderno Técnico do grupo, com critérios de medição, aferição e árvore de fatores.
O que é RUP (Razão Unitária de Produção)?
É o indicador central da produtividade de mão de obra: RUP = Homens-hora ÷ Quantidade de serviço (ex: Hh/m²) — quanto menor, melhor. Na aferição calculam-se a RUP diária, a RUP cumulativa (do início do estudo até a data) e a RUP potencial — a mediana das RUPs diárias que ficaram abaixo da cumulativa, representando um desempenho desafiador porém alcançável. O coeficiente da composição nasce dessa análise, com um delta de segurança.
Quem faz a aferição do SINAPI?
A Caixa contrata uma Instituição Aferidora — atualmente a FDTE (Fundação para o Desenvolvimento Tecnológico da Engenharia), ligada à USP — que aplica o método em campo desde 2012. A base conceitual é o Modelo dos Fatores (Thomas, 1987; aprimorado pelo Prof. Ubiraci Souza, 1996), abordagem internacional consolidada para entender como a produtividade varia com as condições do serviço.
O que é o Modelo dos Fatores?
É o raciocínio de que a produtividade não é um número único, mas uma função dos fatores que a fazem variar — características do produto (ex: placa cerâmica grande em ambiente pequeno = mais corte e perda), do processo (concreto bombeado × jerica) e da organização do trabalho (equipe, interferências do canteiro). Em vez de usar a média dos casos estudados, a aferição modela a variação — por isso o SINAPI publica composições distintas por espessura, altura, método executivo etc., organizadas na árvore de fatores.
Toda composição do SINAPI é aferida?
Não. O acervo tem composições aferidas (com AF_ e ficha no Caderno Técnico) e um conjunto legado de composições não aferidas, herdadas de bases antigas, que a Caixa mantém publicadas enquanto o grupo não passa pelo processo. A prioridade de aferição segue a frequência de uso em obras públicas. O status é visível na própria descrição da composição.
O que é a consulta pública do SINAPI?
Antes de publicar grupos novos ou revisões relevantes, a Caixa abre o material para consulta pública: qualquer usuário pode analisar as composições propostas e enviar contribuições. As consultas abertas e encerradas aparecem no radar de CPs da nossa página de Cadernos Técnicos.
Com que frequência uma composição é re-aferida?
Não há ciclo fixo — a manutenção é por demanda: mudanças de norma técnica, evolução de método construtivo, pendências de insumo ou contribuições de usuários disparam revisão do grupo. O registro fica no histórico de revisões de cada Caderno Técnico, com data e o que mudou. Os preços, por outro lado, atualizam todo mês — aferição define coeficiente, não preço.