Análise Mensal +0,44% variação mensal SINAPI (IBGE)

SINAPI Julho 2026 — Análise de Custos da Construção

Dados IBGE + variação por grupo, região e item — análise exclusiva com 15.420 composições e insumos

Publicado em 11 de agosto de 2026 · Fonte: IBGE + dados próprios

Resumo Executivo

O Índice Nacional da Construção Civil (SINAPI) variou 0,44% em julho de 2026 — desaceleração de 0,75 ponto percentual frente a junho (1,19%) e um retorno ao patamar de maio (0,36%). O padrão sugere que o pico de junho foi um episódio pontual, ligado à concentração de acordos coletivos naquele mês, e não uma mudança de patamar. Mesmo assim, o acumulado de 12 meses subiu para 7,40% (ante 7,26% em junho) e o acumulado do ano avançou para 4,94% (ante 4,48%) — a desaceleração mensal não interrompeu a trajetória de alta acumulada.

O custo nacional por metro quadrado subiu de R$ 1.976,37 para R$ 1.985,10 — alta de R$ 8,73 no mês, bem menor que o salto de R$ 23,29 registrado em junho — sendo R$ 1.120,13 de materiais e R$ 864,97 de mão de obra.

Para orçamentistas e engenheiros que trabalham com a tabela SINAPI, julho é um mês de acomodação: a pressão mensal recuou, mas a mão de obra segue como o vetor mais caro no horizonte de 12 meses (9,56%). O eixo regional dos reajustes também mudou — saem Pernambuco, Rondônia, Ceará e São Paulo, que lideraram junho, e entram Goiás e Rio Grande do Sul, concentrando os maiores acordos coletivos do mês.

Indicadores do Mês

Indicador Mensal No ano 12 meses Valor/m²
SINAPI (índice geral) 0,44% 4,94% 7,40% R$ 1.985,10
↳ Materiais 0,48% 3,88% 5,81% R$ 1.120,13
↳ Mão de obra 0,39% 6,37% 9,56% R$ 864,97

Fonte: IBGE/SINAPI. Valores em R$ por m² de construção.

A parcela de materiais variou 0,48% — desaceleração de 0,44 ponto percentual frente a junho (0,92%). No acumulado do ano, materiais sobem 3,88% (ante 3,39% em junho); em 12 meses, o índice avançou para 5,81% (ante 5,54%). Os grupos de instalações em cobre (+26,5% em 12 meses) e hidráulicos seguem entre os que mais pressionam essa parcela.

A mão de obra desacelerou de 1,55% em junho para 0,39% em julho — recuo de 1,16 ponto percentual, revertendo boa parte do salto do mês anterior causado pelos acordos coletivos estaduais. No acumulado de 12 meses a pressão salarial ficou praticamente estável em 9,56% (ante 9,59% em junho) — segue quase o dobro da inflação de materiais e o componente que mais encarece a construção no horizonte anual. No ano, avança 6,37% (ante 5,96%).

Variação por Região

Variação por Região

Centro-Oeste 1,18%
Norte 0,74%
Sul 0,69%
Nordeste 0,33%
Sudeste 0,19%

Destaques Estaduais

GO

Goiás +2,58%

Maior alta do país — reajuste nas categorias profissionais firmado em acordo coletivo e alta na parcela dos materiais

RS

Rio Grande do Sul +1,86%

Segunda maior alta, sob influência de convenção trabalhista

O Centro-Oeste liderou julho com alta de 1,18%, puxado por Goiás: +2,58%, a maior variação do país, atribuída pelo IBGE a reajuste nas categorias profissionais firmado em acordo coletivo e alta na parcela dos materiais. O Rio Grande do Sul veio em segundo, com +1,86%, sob influência de convenção trabalhista. Norte (0,74%) e Sul (0,69%) ficaram próximos da média nacional; Nordeste (0,33%) e, sobretudo, Sudeste (0,19%) fecharam a lista.

O contraste com junho é nítido: o Nordeste, que liderou o mês anterior com 1,45% (puxado por Pernambuco, +2,98%), desacelerou para 0,33% em julho. O Sudeste, segundo colocado em junho (1,33%, com São Paulo em +2,34%), foi a região mais fraca do país em julho, com apenas 0,19%. Para consultar os preços SINAPI atualizados por estado, acesse a página de estados ou navegue diretamente para qualquer UF — por exemplo, Goiás, Rio Grande do Sul ou São Paulo.

Grupos com Maiores Variações

Os grupos de transporte de materiais (+32,2% em 12 meses, 97 itens), instalações em cobre (+26,5%, 242 itens), limpeza de obra (+24,3%, 27 itens) e bombas hidráulicas centrífugas (+23,8%, 18 itens) seguem, pelo quarto mês seguido, no topo das altas acumuladas — praticamente estáveis frente a junho (32,15% / 26,24% / 24,36% / 23,93%).

A mudança relevante é graute e armação: caiu de +23,62% (21 itens) em junho para +12,12% (40 itens) em julho — o dobro de itens na amostra dilui a média do grupo, um efeito de recomposição de base, não necessariamente de desaceleração item a item. Entram no top 10 de julho instalações de ar condicionado em cobre (+20,5%, 15 itens), alvenaria estrutural — blocos de concreto (+14,5%, 8 itens), telhamento para cobertura (+12,9%, 42 itens) e instalações prediais de esgoto — caixas e ralos (+12,2%, 8 itens), no lugar de postes de concreto e metálicos, vergas/contravergas e ligações prediais de água e esgoto, que saíram do top 10.

Na ponta oposta, instalações de ar condicionado seguem em deflação, mas menos intensa: -5,3% (44 itens) em julho ante -8,1% (35 itens) em junho. O bloco ligado a aço e fundações — estacas metálicas (-4,0%), armação para estruturas de concreto armado (-2,6%), cercas e alambrados (-2,3%) e armação de estacas (-2,0%) — segue praticamente estável, mantendo o alívio em orçamentos de fundações e estrutura.

Composições e Insumos com Maiores Variações

Variação no último mês

Variação acumulada (12 meses)

Metodologia do ranking

Variação 12 meses: composições e insumos com preço desonerado em pelo menos 10 estados nos dois períodos comparados. Variações acima de 500% são excluídas por indicarem rebase do IBGE (item recriado ou reclassificado).

Variação mensal: itens com preço em pelo menos 1 estado no mês atual e no anterior. Variações acima de 50% são excluídas (recalibragem). O número de UFs com dados aparece no campo "UFs".

Preço médio: média aritmética simples dos preços desonerados nas UFs com dados válidos. Não é média ponderada por população ou PIB.

Fonte dos preços: planilha XLSX oficial da Caixa Econômica Federal.

No mês, a maior alta é o kit de cavalete para gás sem medidor e sem regulador (+27,4%, de R$ 754,40 para R$ 960,75), seguido pela família de alvenaria de blocos de concreto estrutural 14x19x39cm — +16,4% na versão FBK=14 MPa e +13,8% na FBK=4,5 MPa. O bloco de concreto projetado também repricificou: as composições com espessura de 10cm subiram entre +10,0% e +14,7% no mês. Duas composições de argamassa (traço 1:3 e 1:4, revisão AF_07/2026) subiram cerca de +9,5% a +9,6% no mês.

Nas baixas do mês, a família de concreto projetado com 7cm de espessura e fibras de aço recuou entre -7,9% e -22,8% — a queda mais acentuada, de R$ 261,93 para R$ 202,25 — e a fabricação de forma para radier em madeira serrada caiu -16,2%. A argamassa traço 1:1,93 (fck 20 MPa) também cedeu -7,6%, de R$ 1.023,84 para R$ 946,04.

Na janela de 12 meses, os extremos seguem o mesmo padrão de rebase/reclassificação apontado nas análises anteriores: nas altas, o transporte horizontal com manipulador telescópico de bacia sanitária lidera com +262,7% acumulado, mas apenas -0,3% no mês — sinal de que o salto é herança de reclassificação, não de mercado corrente. Nas baixas, o telhamento com telha de encaixe tipo francesa de vidro caiu -92,5% em 12 meses, com +2,9% no mês. A seção “último mês” é o dado relevante para quem está fechando orçamento agora.

Itens Novos e Alterados

A referência de julho trouxe 760 manutenções na tabela — mais que o dobro das 327 de junho, refletindo o volume de repricificações nas famílias de concreto projetado e alvenaria estrutural citadas acima, além das revisões AF_07/2026 em composições de argamassa. A lista completa, com preço médio nacional e link para a página de cada item, está em Itens Novos e Alterados de julho — leitura obrigatória para quem mantém orçamento vivo entre referências.

55 composições desativadas — o que fazer com elas

Julho desativou 55 composições, o item mais sensível da referência para quem está com orçamento em andamento. Todas as 55 são de argamassa — traços variados, argamassa industrializada, revestimento decorativo monocamada e argamassa pronta para contrapiso —, e a desativação foi declarada pela própria Caixa no histórico de revisões do Caderno Técnico de Argamassas, atualizado nesta referência: “desativação e simplificação de algumas composições de argamassa”.

Desativada não significa que a composição desapareceu: ela não deve ser usada em orçamentos novos, mas contratos em andamento mantêm a referência da época da licitação. Por isso cada uma das 55 continua com página própria aqui, com o último preço publicado (junho de 2026) e o mês da desativação em destaque — 37 delas tinham preço divulgado até junho e seguem consultáveis por código e por estado. A lista completa está no relatório de manutenções de julho.

Licitações Públicas e SINAPI

Os dados do Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP) mostram que 5.164 códigos SINAPI foram referenciados em licitações públicas recentes, totalizando 23.046 licitações mapeadas.

A Lei 14.133/2021 (Nova Lei de Licitações) exige o uso do SINAPI como referência para orçamentos de obras públicas com recursos federais. A atualização mensal da tabela — como esta referência de julho — é o que garante que os preços referenciais reflitam o mercado atual. Mesmo com a desaceleração mensal para 0,44%, usar uma referência desatualizada significa carregar parte da defasagem acumulada de 4,94% no ano.

Confira as composições mais licitadas para entender quais itens SINAPI são mais demandados pelo setor público.

Perspectivas

Julho reforça a leitura de que o pico de junho foi um episódio pontual de dissídios regionais, não uma mudança de patamar: a taxa mensal recuou para perto do nível de maio (0,36%). Mas o acumulado de 12 meses não retrocedeu — subiu para 7,40% — e a mão de obra segue acumulando 9,56% em 12 meses, quase o dobro dos materiais (5,81%). O eixo dos reajustes também mudou de estado: depois de Pernambuco, Rondônia, Ceará e São Paulo em junho, julho concentrou o maior impacto em Goiás (+2,58%) e Rio Grande do Sul (+1,86%), reforçando que os acordos coletivos regionais seguem descentralizados ao longo do segundo semestre.

Para quem fecha orçamento agora, o cenário recomenda: revisar composições intensivas em mão de obra no Centro-Oeste, sobretudo em Goiás; manter o acompanhamento dos grupos de cobre e hidráulicos, que seguem entre os líderes de alta acumulada; e observar a família de concreto projetado e argamassas, que teve repricificação relevante em julho e pode repetir, em referências futuras, o padrão já visto em graute e armação. A página de encargos sociais traz os percentuais atualizados por UF para os regimes desonerado e onerado.

A próxima divulgação do SINAPI pelo IBGE, referente a agosto de 2026, está prevista para 11 de setembro. Esta página será atualizada com a análise do mês seguinte assim que os dados forem publicados.

Para acompanhar o histórico de variação de qualquer composição ou insumo específico, use a busca e acesse a página de detalhe — cada item tem gráfico de variação 12 meses e tabela mês a mês.


Dados: IBGE/SINAPI, Caixa Econômica Federal. Análise: Buscador SINAPI. Última atualização: 2026-08-11.

Itens Novos e Alterados em Julho 2026

O relatório oficial de manutenções da Caixa registrou 760 mudanças na tabela SINAPI nesta referência — 124 itens novos, 16 com início de divulgação de custo, 565 alterados e 55 desativados ou suspensos.

Lista completa dos 760 itens

Código, descrição, tipo de manutenção, preço médio nacional e link de cada item

Perguntas frequentes

O que mudou no SINAPI em julho de 2026?
O SINAPI de julho/2026 registrou variação de +0,44% no índice nacional da construção civil, segundo o IBGE. Esta análise detalha as variações por região, grupo de serviço e os itens individuais com maiores altas e baixas.
Quais itens entraram ou mudaram na tabela SINAPI em julho de 2026?
O relatório oficial de manutenções da Caixa registrou 760 mudanças na tabela SINAPI de julho/2026, entre criações de itens, início de divulgação de custos, alterações de descrição/coeficientes e desativações. A página de itens novos e alterados de julho/2026 lista todos os códigos afetados, com preço médio e link para a página de cada um.
Como a variação SINAPI afeta licitações públicas?
A Lei 14.133/2021 exige que orçamentos de obras públicas com recursos federais utilizem o SINAPI como referência. Variações na tabela impactam diretamente os valores de referência e podem exigir revisão de composições de custo em andamento.
Onde consulto os preços SINAPI por estado?
Na página de estados você encontra os preços SINAPI para cada uma das 27 UFs. Cada composição e insumo tem preços desonerado e onerado por estado.
Qual a diferença entre preço desonerado e onerado?
O preço desonerado considera as alíquotas de INSS reduzidas pela desoneração da folha (Lei 12.546/2011). O onerado aplica a contribuição previdenciária patronal integral. A página de encargos sociais detalha os percentuais por UF.